2018 2022 2024

Fernando Maia da Cunha

Fernando Maia da Cunha, formou-se em Belas Artes, na PUC-RJ. Cursou especialização em Fotografia e Vídeo na NORDIC FOLKHIGHSCHOOL BISKOPS ARNÖ, na Suécia, tem Pós-Graduação em Fotografia, Imagem e Comunicação na Universidade Cândido Mendes - RJ, é Mestre em Comunicação - Fotografia e Audiovisual na Universidade Federal do Ceará (PPGCOM/UFC) e Doutorando em Psicologia pelo programa de pós-graduação em psicologia na Universidade Federal do Ceará (PPGP/UFC). É Fotógrafo, Diretor de fotografia e Professor Universitário efetivo da UFC – Universidade Federal do Ceará no ICA- Instituto de Cultura e Arte. É sócio Efetivo da ABC – Associação Brasileira de Cinematografia. Líder do Gaeic -Grupo de Análises e Estudos da Imagem Contemporânea - Narrativas de Sí e participa como professor pesquisador do Imago - laboratório de estudos de estética e imagem - UFC e do PARALAXE – Grupo Interdisciplinar de Estudos, Pesquisas e Intervenções em Psicologia Social Crítica. Alguns de seus trabalhos foram premiados entre eles se destacam: “O Grito” e “Barata”, fotos da campanha realizada para a Insetizan, que receberam o Prêmio Publicitário Globo, XVI Prêmio Colunistas Rio de Janeiro – 1997 com o trabalho para Insetizan com a foto “Barata”, participou do Projeto Desastre de Alessandra Migami “Alessa” realizado no Parque Lage. Recebeu medalha de prata na The Second Olympiad of Local Video TV Creation, realizada no navio Kristina Regina (Dinamarca, Noruega e Suécia), com o vídeo “Trabalhadores Invisíveis”. Participou das edições dos encontros de agosto de 2013, 2014, 2015 com exposição no Centro Dragão do Mar em Fortaleza no CE, Possui Monção Honrosa da prefeitura municipal do Rio de Janeiro, participante finalista do concurso Lens culture 2016 e contemplado com Edital das Artes SecultFor 2016 na categoria Realização fotográfica com o projeto Revinda que possui Eder Chiodetto como curador, selecionado no laboratório de criação de Artes Visuais do Porto Iracema das Artes tendo como tutor Eder Chiodetto.

PROJETO
Estar diante do tempo, aliás atravessá-lo, se tornou a base do processo da construção das imagens deste ensaio, meus pais que atuavam na militância política e partidária desde 1963 perante a minha chegada e das ameaças contra a vida que advinham do regime que estava a frente do nosso país tiveram que deixá-lo, rumo a Albânia, a fim de trabalhar na Rádio Tirana. Em exílio vivemos seis anos até retornarmos ainda clandestinos ao Brasil, trazendo entre muitas coisas, dois álbuns de retratos de família que são disparadores das inquietações que permeiam este ensaio. Buscando retornar no tempo e fluidamente entrelaçar as imagens mentais e as memórias através das fotografias se abriu o espaço para a narrativa ficcional contida neste trabalho. Após um processo de escolha das fotografias mais significativas, cada uma delas foi estudada em matéria de iluminação (direção, textura e qualidade) e possíveis localizações para que fossem inseridas a minha imagem. Em posse destes dados para cada foto foi executado um autorretrato com iluminação, performance e figurino diferenciados, condizentes com cada fotografia. E finalmente através de um trabalho de pós-produção digital cada autorretrato foi inserido de maneira sempre discreta em segundo plano, por vezes embaçada na fotografia, reforçando o conceito de que ao olharmos uma fotografia nos remetemos ao tempo dela. Essa narrativa foi construída como se eu pessoalmente estivesse nesta imagem, olhando para tudo que estava dentro do enquadramento, mas principalmente como um viajante do tempo que através da fotografia é deslocado fisicamente para aquele tempo e consegue ver tudo que estava fora do enquadramento, e, como nas ficções, acaba sendo registrado na imagem. Abre-se assim uma possível estratégia para enfrentar desafios estéticos, conceituais e políticos ao ouvir o que as imagens pensam e nos dizem proporcionando uma configuração esperançosa de mudança para esses tempos sombrios.
 






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