2018 2022 2024

Fernando Jorge

Fernando Jorge é fotógrafo e professor de fotografia. Tem Mestrado em Comunicação e Artes na Universidade Nova de Lisboa, é formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará, com especialização em Teorias da Comunicação e da Imagem. Leciona na Travessa da Imagem e na Casa Amarela Eusélio Oliveira, equipamento da Universidade Federal do Ceará. Já expôs em mostras coletivas, como o Festival de Fotografia de Tiradentes 2016 e 2017, os Encontros de Agosto 2011, 2012, 2014 e 2016, 69o Salão de Abril, deVERcidade 2007, a XIV UniforPlástica e a exposição Postais do Ceará. Fez parte do conselho curador dos Encontros de Agosto 2013. É co-autor do projeto Cococi, e seu trabalho Memento Mori foi contemplado com o Prêmio Chico Albuquerque de Fotografia.

PROJETO
No início do século, a cidade de Jaguaribara (CE) foi inundada para a construção de um açude - o popularmente chamado Castanhão, de nome oficial Padre Cícero. Nos últimos anos, por conta da maior seca a atingir o Ceará em mais de noventa anos, o nível da água baixou consideravelmente, fazendo ressurgirem as ruínas da cidade antiga. Com elas, questões sobre memória, espaço, e as intempéries climáticas. Neste respiro de um espaço topográfico que não mais deveria, o presente ensaio trata de rastros de presença e memória, incongruências da lembrança que teima. Justificativa: Sabe-se quanto a estiagem, historicamente, afeta as populações do nordeste brasileiro. A seca traz, além das drásticas consequências diretas para quem subsiste de agricultura, uma perversa rede de poder constituída em torno de si. É no esteio da ironia que se tem a construção de um açude gigantesco, anunciado como uma poderosa arma no combate à seca, e que atualmente encontra seu volume abaixo de dez por cento de sua capacidade. Para a construção do Castanhão, a cidade de Jaguaribara foi inundada - seus habitantes removidos para uma Nova Jaguaribara, distante quarenta quilômetros do locus de origem. O processo de remoção, conforme amplamente divulgado à época e hoje ainda rememorado pelos habitantes que permanecem, teve contornos de arbitrariedade, insolência e agressividade. Morada é identidade, e os moradores bruscamente viram-se tendo as suas retiradas pelo próprio Estado. A partir da seca iniciada em 2011, pequenos pedaços da pretérita cidade começaram a ser percebidos rompendo a cortina de água do agora açude: pontas de postes e árvores. Com o passar do tempo e o agravamento da situação, surgiram a caixa d ?água e a torre da igreja; a partir de meados de 2015, quarteirões inteiros aparecem. Casas, comércios, paredes, tijolos, cimento: todo o traçado urbano é agora visível. O ensaio fotográfico Onde foi Jaguaribara adota uma estética fotográfica que faça alusão tanto aos rastros de presença e memória desse lugar que parece emergir de um longo mergulho - e, como tal, surge sem fôlego, quase sufocado - , como à ação do tempo sobre nossa topografia e sobre o próprio meio fotográfico.




GALERIA


Voltar