Francisco Antonio Oliveira Gomes, carinhosamente conhecido como Chico Gomes é um fotógrafo nascido em Fortaleza em abril de 1962. Aos 35 anos de idade descobre a fotografia em sua vida e passa a exercê-la como forma de expressão artística. Com uma formação técnica em Audiovisual e Administração, Chico tem também sua formação superior em Design de Moda. Sua fotografia tem uma influência de grandes fotógrafos internacionais como Cartier Bresson, Steve McCurry, Ansel Adams, Robert Capa e Robert Doisneau. No Brasil suas referências são Sebastião Salgado, Tiago Santana, Cristiano Mascaro, Guy Veloso, Nair Benedicto, Pedro Martinelli entre outros. Já ultrapassando 30 exposições entre coletivas e individuais no Brasil e em alguns países da Europa, Chico também já possui um bom número de prêmios. Chico é um dos fundadores do Instituto da Fotografia do Ceará, o IFOTO e há sete anos coordena um dos maiores e mais movimentados eventos da fotografia cearense que é a Feira da Fotografia Fortaleza a qual é seu idealizador.
PROJETO
Maracatu, folguedo centenário que desembarcou nos festejos mominos de Fortaleza e ainda hoje resiste, reelaborando costumes, ressignificando momentos, performatizando o corpo. A avenida é a passarela do brincante, o asfalto como palco, como terreiro, dimensão espacial da brincadeira mítica, que paralisa o tempo e leva o performer ao fulgor espectral, onde as batidas cadenciadas são coordenadas transcendentais, religação do ribombar de tambores ancestrais, a evocação do grito de nossa africanidade. Mas o que há por trás da plasticidade luxuosa de indumentárias cortesãs, do negror do rosto fantasiado ou do manejo sincopado de batuques, triângulos e atabaques em seu soar tristonho? O esforço comunitário, de pessoas comuns, é a resposta. Pessoas de osso e carne, que doam tempo, esforço, ardor na construção pacientemente laboral de todos os utensílios que irão compor este cortejo sísmico, produto singular do nosso período carnavalesco. No ensaio “CONSTRUÇÃO”, 15 imagens propõem um singelo passeio pela “engrenagem” artesanal do maracatu, com especial enfoque nestas “pessoas comuns”. Partindo de uma perspectiva antropológica, onde o homem é o centro de interesse e alvo privilegiado da mensagem significada, tem-se neste trabalho um registro a um só tempo breve e emblemático do que se pode pensar como o bastidor, o preparativo, a montagem de elementos figurativos essenciais ao cortejo. São fotografias tiradas dos momentos que antecedem o “grande dia”, das horas prévias ao instante mágico do “desfile”, razão de ser do brincante - esse sujeito alegórico despersonalizado, ator rústico, epicentro, grito e explosão dessa grande festa popular - personagem central deste ensaio.